Especialista em Odontopediatria • Atualização em Dentística Estética

Mucosite Oral

A mucosite oral é uma lesão semelhante a uma afta grande que pode acometer a boca e garganta dos pacientes. Ela é muito comum em pacientes que são submetidos a tratamento quimioterápico e radioterapia de cabeça e pescoço. A mucosite se manifesta de 5 dias a 1 semana após o início do tratamento oncológico, e dependendo da gravidade o paciente não consegue ingerir nem água, o que traz o risco de desidratação e desnutrição.

É muito importante prevenir e tratar essas feridas porque além da dor, elas são porta de entrada de infecções, o que pode levar a uma infecção generalizada.

Tenho estudado muito sobre o assunto porque é o tema do meu mestrado que curso na FOUSP. A mucosite pode ser prevenida e amenizada com reforço na higiene oral. Existem outros tratamentos que são utilizados e muitos que ainda estão sendo estudados. Hoje o que tem se usado em crianças, além da higiene oral, é o uso de clorexidina e aplicação de laser em baixa potência.

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Tem aparecido no meu consultório muitos casos de hipomineralização Molar Incisivo, que é o termo apropriado para descrever a aparência clínica da hipomineralização que atinge um ou mais molares permanentes frequentemente associados com os incisivos permanentes. É um defeito congênito consequente de fatores ambientais que ocorrem durante a formação dos dentes alterando a atividade das células que produzem o esmalte dos dentes ( ameloblastos ). Dentre os fatores sistêmicos que ocorrem nos primeiros anos de vida (fase de formação do esmalte) que podem estar relacionados ao defeito podemos citar: infecções respiratórias, febre alta, uso de medicamentos (ex.: amoxilina), infecção urinária, hipocalcemia e exposição a poluentes. Alguns estudos apontam outras possíveis causas, como: desnutrição e envolvimento genético.

Os dentes afetados nascem com defeito qualitativo no esmalte com opacidades demarcadas e com textura semelhante a giz. A criança pode sentir sensibilidade durante a escovação dentária e estes dentes tem também maior tendência à cárie e maior risco de fratura.

Para estes pacientes é de fundamental importância visitas regulares em intervalos de 4 a 6 meses para controle clínico.  O tratamento destes casos depende da severidade do defeito, que vai desde selamento dos dentes afetados até restaurações com resina.

 

Quando um paciente está com câncer, e tem que fazer tratamento com quimioterápicos ou radioterapia de cabeça e pescoço, é muito comum que apareçam feridas pela boca toda. Esta alteração é chamada de mucosite. A dor costuma ser intensa, o que dificulta a alimentação,  e há  risco de infecções oportunistas.

Para controle da mucosite, além dos cuidados de higiene, o laser de baixa potência vêm sendo muito utilizado. Além de diminuir a dor, é bioestimulante, acelerando o processo de cicatrização.

Durante o tratamento oncológico, é muito importante que o dentista esteja inserido na equipe multidisciplinar. Durante minha pós-graduação em Odontologia Hospitalar no Hospital Albert Einstein, pude comprovar que os cuidados odontológicos podem reduzir o tempo de internação de um paciente, dar maior qualidade de vida, e diminuir a mortalidade.

Segundo o Ministério da Saúde, um adulto pode consumir, em média, no máximo 50 mg de açúcar por dia. Essa recomendação abrange tanto os açúcares adicionados pela indústria quanto pela população no ato de cozinhar e consumir. Segue abaixo uma tabela com a quantidade média de açúcar adicionado às bebidas industrializadas. Fica a dica para nossa reflexão antes de oferecermos uma destas bebidas para nossos filhos!!

Quantidade de açúcar nas bebidas industrializadas

Atualmente o laser de baixa potência é muito utilizado na odontologia. Pode ser considerado um auxiliar ao tratamento odontológico devido aos seus efeitos de analgesia (redução da dor), biomodulação da inflamação e aceleração do reparo tecidual. No consultório costumo utilizar esta terapia em muitos casos, como: afta, herpes, reparo de lesões em tecido mole, pós-operatório, estomatite e parestesia.

Além das suas propriedades, o laser é indolor e não invasivo. Logo tem uma boa aceitação por parte dos  pacientes pediátricos.

Em crianças de pouca idade, existe uma dificuldade de comunicação devido ao desenvolvimento cognitivo imaturo presente nesta fase. Daí a dificuldade para saber se a criança sente dor de dente. Os pais ou responsáveis devem observar algumas mudanças de comportamento na rotina da criança, tais como:

  •  morde os alimentos com os dentes de trás ao invés de usar os dentes da frente
  •  chora durante as refeições
  • mastiga os alimentos só de um lado da boca
  • leva a mão ao rosto enquanto mastiga
  • chora a noite enquanto dorme

Nestes  casos, os pais devem levar seus filhos para realizar o tratamento com um profissional especializado em Odontopediatria. É importante lembrar que a procura pelo odontopediatra não deve ser somente quando há presença de dor. As consultas de prevenção são essenciais para manter a saúde bucal e evitar dor.

É muito comum aparecer gestantes no consultório com queixa de sangramento gengival. Durante a gravidez acontecem muitas alterações hormonais podendo acarretar a Gengivite Gravídica, que é uma inflamação dos tecidos gengivais provocando intensos sangramentos. Por isso, recomendamos visitas periódicas ao consultório para remover placa bacteriana mais aderida ou até tártaro e sempre incentivamos o reforço da higiene dentária. Além da saúde bucal da gestante, temos que ter preocupação com a saúde do bebê, já que infecções crônicas podem gerar um parto prematuro.

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